Ramones: 50 anos do disco que fez o mundo querer montar uma banda

Tem música que precisa de poucos segundos para mudar o nosso humor. Com os Ramones, muitas vezes basta a contagem: um, dois, três, quatro e pronto!

A guitarra entra, a bateria dispara e aquela vontade de aumentar o volume aparece quase sem pedir licença.

Por trás das jaquetas de couro, dos jeans rasgados e de um dos nomes mais reconhecidos do rock, havia quatro caras de Nova York que ajudaram a transformar a maneira de fazer música. E o mais bonito dessa história talvez seja isso: eles fizeram muita gente sentir que também poderia participar.

Em 2026, o primeiro álbum dos Ramones completa 50 anos. Uma boa ocasião para voltar ao começo, conhecer as pessoas por trás do sobrenome e entender por que essa banda continua encontrando novos fãs.

Os Ramones nasceram em 1974, no bairro de Forest Hills, no Queens, em Nova York e em abril de 2026, o álbum de estreia, lançado em 1976 e batizado simplesmente de Ramones chega aos seus 50 anos. 

Quatro caras e uma vontade enorme de tocar

A formação original reuniu Joey Ramone nos vocais, Johnny Ramone na guitarra, Dee Dee Ramone no baixo e Tommy Ramone na bateria.

Cada um tinha uma presença muito particular. Joey, alto e de franja comprida, tinha uma voz que conseguia soar vulnerável e desafiadora na mesma música. Johnny construiu uma guitarra seca, firme e insistente. Dee Dee trouxe composições, inquietação e aquela contagem que virou parte da identidade da banda. Tommy ajudou a dar forma à bateria direta de que tudo aquilo precisava.

O CBGB, pequeno clube de Nova York, se tornou um lugar decisivo nessa trajetória. A estreia do grupo ali aconteceu em 16 de agosto de 1974. Naquele palco, músicas curtas, volume alto e apresentações aceleradas foram encontrando seu público.

É fácil olhar para essa história hoje e enxergar uma fórmula consagrada. Na época, porém, eles estavam construindo algo cujo alcance ainda não conheciam.

Um disco de cerca de 29 minutos que continua rendendo assunto

O primeiro Ramones tem 14 faixas e cerca de 29 minutos de duração. Foi gravado com um orçamento de aproximadamente US$ 6.400.

Nesse espaço cabem “Blitzkrieg Bop”, “Beat on the Brat”, “Judy Is a Punk” e “I Wanna Be Your Boyfriend”. Ouvir o disco inteiro ainda é uma ótima maneira de perceber que a banda tinha mais nuances do que a fama de tocar rápido pode sugerir.

Há humor, estranheza, tensão e uma vontade muito clara de criar melodias que ficam na cabeça. Na nossa escuta, a delicadeza de “I Wanna Be Your Boyfriend” também ajuda a explicar os Ramones: por baixo do barulho, existia um coração apaixonado por canções.

A fotografia da capa, feita por Roberta Bayley, resumiu visualmente aquela presença. Quatro integrantes diante de um muro, sem cenário grandioso. Uma imagem que parece dizer: a banda está aqui. Agora é só colocar o disco para tocar.

As formações: quem passou pelos Ramones?

Joey e Johnny permaneceram do início ao fim. As principais mudanças aconteceram no baixo e na bateria:

Período Formação
1974–1978 Joey no vocal, Johnny na guitarra, Dee Dee no baixo e Tommy na bateria
1978–1983 Marky assume a bateria, ao lado de Joey, Johnny e Dee Dee
1983–1987 Richie entra na bateria, com Joey, Johnny e Dee Dee
1987, passagem breve Elvis Ramone, nome usado por Clem Burke, assume temporariamente a bateria
1987–1989 Marky retorna, reunindo-se a Joey, Johnny e Dee Dee
1989–1996 CJ substitui Dee Dee no baixo; Joey, Johnny e Marky completam a formação final

Tommy deixou a bateria em 1978, mas também trabalhou como produtor da banda. Marky participou de duas fases importantes; Richie imprimiu sua marca nos anos 1980; e CJ integrou os últimos anos de estrada. A passagem de Elvis foi curtíssima, mas também pertence à história.

A despedida dos palcos aconteceu em 6 de agosto de 1996, em Los Angeles. Segundo o GRAMMY Museum, o grupo encerrou a trajetória com 2.263 shows.

Eles eram irmãos? De onde veio o sobrenome?

Não! eles nãoeram irmãos mas o sobrenome compartilhado foi uma escolha que ajudou a construir a identidade do grupo e a inspiração que veio nada mais e nada menos do Beatle Paul McCartney, que usava o pseudônimo  Paul Ramon quando fazia check-in em hotéis para tentar manter o anonimato.

Dee Dee sabendo dessa curiosidade, sugeriu que todos integrantes da banda usassem o sobrenome Ramone e todos os membros trocaram seus nomes artísticos para criar a ilusão de que eram irmãos ou integrantes de uma mesma família (Joey Ramone, Johnny Ramone, Dee Dee Ramone e Tommy Ramone)

O resultado foi uma espécie de família artística. Isso não significa que a convivência fosse sempre fácil: a trajetória teve conflitos e mudanças. Talvez por isso ela pareça tão humana. A unidade que chegava ao palco também exigia trabalho fora dele.

A camiseta também conta essa história

É difícil separar os Ramones da imagem que construíram. O couro, o jeans, o tênis e a camiseta formaram um visual que continua fácil de reconhecer.

Uma figura fundamental nessa história foi Arturo Vega, artista mexicano e diretor artístico do grupo, responsável pelo famoso emblema da banda. Seu trabalho ajudou a levar aquela identidade para além dos discos e dos palcos.

A camiseta dos Ramones pode guardar a lembrança de um show, de uma amizade ou da primeira música ouvida no quarto. E também pode ser o começo da descoberta: alguém reconhece o nome, procura uma faixa e acaba encontrando uma banda favorita.

Por aqui, a gente gosta dessa troca entre vestir e ouvir. Sempre existe uma história para descobrir por trás de uma estampa.

Ramones e Brasil: lembranças que atravessam gerações

A primeira passagem pelo Brasil aconteceu em 1987, com apresentações em São Paulo. Depois vieram outras visitas, até a turnê de despedida de 1996.

Para o fã brasileiro, essas passagens fazem parte de uma memória que continua circulando em fotografias, gravações e relatos de quem estava lá. Quem não viveu aqueles shows pode chegar à banda por esses registros ou pelo amigo que insiste em colocar mais uma música.

Outra ligação que vale lembrar envolve Eddie Vedder. Foi o vocalista do Pearl Jam quem apresentou os Ramones na entrada da banda para o Rock & Roll Hall of Fame, em 2002. Um encontro entre gerações que mostra o tamanho desse reconhecimento.
Inclusive Vedder veio junto com a banda no show de despedida ao Brasil em 1996.

E o que está acontecendo agora?

O aniversário de 50 anos do primeiro disco movimentou 2026 com homenagens e novidades.

Em 30 de agosto, o Hollywood Forever, em Los Angeles, recebeu uma celebração com o Cretin Family: Billie Joe Armstrong, do Green Day; Tim Armstrong, do Rancid; Travis Barker, do Blink-182; e CJ Ramone. Entre os convidados estavam Billy Idol e The Linda Lindas. Foi um tributo ao repertório, não uma retomada das atividades dos Ramones.

A programação do cinquentenário também anunciou uma exposição no The Punk Rock Museum, em Las Vegas, com abertura marcada para 4 de julho de 2026, além de disponibilizar versões remasterizadas de videoclipes no canal oficial da banda. Entre eles estão “I Wanna Be Sedated”, “Sheena Is a Punk Rocker” e “Rock ’n’ Roll High School”.

Para quem gosta de vinil, a Rhino apresenta uma edição comemorativa do álbum de estreia em mono, utilizando o remix de 2016 feito pelo produtor original Craig Leon.

E há uma homenagem olhando para o futuro: em julho de 2026, os Ramones foram anunciados entre os selecionados para a turma de 2027 da Calçada da Fama de Hollywood. O anúncio não trouxe uma data para a cerimônia.

São notícias que mostram como essa história continua sendo revisitada por músicos, colecionadores e novos ouvintes.

Uma ausência que faz parte dessa celebração

Os quatro integrantes originais já faleceram: Joey em 2001, Dee Dee em 2002, Johnny em 2004 e Tommy em 2014.

Celebrar os Ramones também é lembrar dessas pessoas, com suas diferenças, dificuldades e contribuições. Os discos preservam encontros que já não podem acontecer da mesma maneira. Talvez seja por isso que ouvir uma música conhecida possa ser tão emocionante.

Coloque o disco para tocar. A camiseta vem junto.

O lançamento das camisetas dos Ramones na Astrozen é um convite para voltar a esse repertório ou conhecê-lo pela primeira vez.

Vale começar pelo álbum de 1976 e depois seguir para “Sheena Is a Punk Rocker”, “Rockaway Beach”, “I Wanna Be Sedated” e “Pet Sematary”. Ou simplesmente dar play naquela que já faz parte da sua vida.

Cinquenta anos depois da estreia em disco, ainda existe algo muito próximo naquelas músicas: vontade de fazer barulho, encontrar sua turma e cantar junto.

Conheça as camisetas dos Ramones na Astrozen e escolha a peça que vai acompanhar a sua próxima trilha sonora.

Astrozen — Vista atitude rock.

 
 
Por Rô e Gil Montanari
 

Fontes e Referências: